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Blog Gisele Oliveira



Vida do Protetor de Animais 

Ah, ser protetor é denunciar via internet os maus tratos, recolher animais nas ruas para tratar e ficar com eles, e dar um "valorzinho" para contribuir para uma ONG, certo? ERRADO! Ser protetor é mais que isso, bem mais que isso!

Ser protetor é...

- Conviver com o preconceito. As pessoas nunca, ou quase nunca, aceitam a escolha que fazemos em lutar pelos animais. Elas sempre acham que é "falta do que fazer", e por isso sempre nos dão conselhos clichês, como sugerir que a gente "vá ter filho", "vá cuidar de crianças", "vá cuidar de velhos", etc.

- Vivenciar a solidão. Esse item vem por consequência do preconceito, pois a pessoas começam a não achar você tão agradável, começam a ter nojo de andar na sua casa(por mais limpa que você a mantenha), sem contar que como você passa a dedicar boa parte do seu tempo para essa atividade voluntária, fica sem ter o que conversar, pois quem quer passar uma noite conversando ou ouvindo sobre bichos? kkkkk. A menos que também seja um protetor.

- Escutar desaforos. Nossa! É comum a gente receber ligações pedindo ajuda, e quando nos negamos, seja por não termos dinheiro ou espaço físico para o bichinho, as pessoas não compreendem e soltam logo o verbo, perguntando inclusive que tipo de protetor(ou ONG) a gente é! E aqui eu vou aproveitar para justificar TODOS os protetores:

Pessoas, entendam que não existe um protetor sequer que não tenha sua casa lotada de animais, e mesmo as ONGs que possuem sede própria também estão lotadas. É bicho demais abandonado e sofrendo por aí, infelizmente somos poucos comparados a imensidão de cães e gatos abandonados, sem falar nos outros animais! Entendam que um animal vive em torno de 15 anos ao menos, então um cachorro recolhido, ocupará aquele espaço durante muito tempo, e juntamente com o espaço, nos exigirá despesas com rações, medicamentos, consultas, vacinas, etc. Absolutamente NENHUM PROTETOR deixa de acolher um animal por falta de vontade, pois apesar de "calejados", sofremos a cada "não" que temos que dar, pois sabemos que ele pode estar sendo uma sentença de morte, e para nós esse é um fardo imensamente difícil de carregar.

- Suar a camisa! Quando você tem um gatinho ou um cachorrinho, geralmente tudo é festa até que o bichinho adoeça ou algo assim. Quando se é protetor e tem monte de animais, todos os dias são montes de cocôs pra recolher, xixi pra limpar, comida e água para trocar, passeios a fazer, carinhos para dar, e medicamentos para adiministrar, pois dificilmente você consegue ter todos saudáveis. Isso porque é natural que bichinhos adoeçam, e como são muitos, a impressão que dá é que NUNCA isso vai acontecer, pois sempre tem algum gordinho, alérgico, sapeca(uma gata minha bebeu água com sabão, e aí já viu...). E se você ainda for um protetor que é voluntário de ONG, ainda tem os mutirões de castração, feiras de adoção, triagem de notas fiscais... enfim, haja disposição(e amor)!

- Aprender a perder! Nossa, essa é a pior parte, e tenho certeza que no percurso da escrita vou chorar(pois já fiquei com vontade)! Nosso trabalho é com VIDAS, e lidando com vidas acabamos lidando com mortes também. E para quê castigo maior a nós, protetores, que a morte de um animal? É imensamente difícil ver um animalzinho definhar e virar estrelinha. É imensamente doloroso e revoltante ver um animal morrer vítima de descaso ou tortura. E mesmo quando a gente tenta se convencer que fizemos o que foi possível, o "será?" fica presente eternamente na nossa cabeça! Mesmo quando a gente acredita em Deus, e sabe que quem decide TUDO é Ele, não tem como não sofrer e chorar, e chorar...

E nesse tópico vou aproveitar para falar sobre o Ceará. Ele foi um cachorrinho pequeno que recolhi, há quase duas semanas, da rua, porque o dono o abandonou em uma praça perto da minha casa. Percebi que ele tinha todos os sintomas do calazar, e para completar as pessoas estavam batendo nele com vassoura por ele tentar entrar nas casas. Já considerando um caso "perdido", recolhi o Ceará, levei para a clínica, com a ajuda da ONG APATA (da qual sou voluntária), e após os exames confirmarem o que já estava explícito, autorizei a eutanásia. E chorei... O Ceará foi abandonado muito doente, por alguém que tinha um "carrão", conforme testemunhas me contaram. Como alguém faz isso, meu Deus? Como está conseguindo deitar a cabeça no travesseiro, sem saber o que aconteceu àquela criaturinha já tão debilitada! Me desculpem, mas tenho que desabafar: Miserável! Miserável de espírito e de vida!

E eu estou contando esse caso porque eu tenho a sensação meio louca de que se eu não registrar algo sobre um bichinho que se foi, é como se ele não tivesse existido, e o Ceará existiu! Eu vi, toquei e cuidei! Só não salvei, mas isso eu já sabia que não poderia! Ele está muitíssimo melhor agora, com certeza!

- Aprender a ganhar! Essa é a parte MARAVILHOSA! Recuperar a vida de um animal, seja tratando uma doença, retirando de tutores malvados, ou conseguindo um lar feliz, é uma sensação inexplicável! Cumprir nosso dever e fazer com que milhares de gatos e cachorros deixem de procriar, diminuindo o abandono, conscientizando as pessoas do que é realmente dar uma boa vida aos seus pets, etc. É pra isso que trabalhamos, sofremos e lutamos com unhas e garras diariamente.

Ser protetor é saber que não conseguiremos mudar o Mundo facilmente, mas podemos mudar o mundo de uma criatura que só quer o direito de viver para dar e receber AMOR! Um dia se perde, no outro se ganha, mas em todos temos que lutar para ganhar!!!!

E para finalizar esse post muito gratificante para mim, pois escrevi coisas aqui que há muito queria escrever, informo que ainda não consegui adaptar o comportamento do Lucky(cachorro da postagem anterior) ao nosso, mas que não desistirei! E aproveito também para postar a foto da Luna, uma gatinha que resgatei da rua há quase duas semanas, e que luta como uma Leoa por sua vida e a de seus 03 filhotes, que ainda estão para nascer. Quando chegou em casa, ela tinha duas feridas profundas na barriga, que já cicatrizaram, mas continua com uma infecção gravíssima que tive conhecimento no mesmo dia da notícia de sua gravidez. E apesar de quase não conseguir ficar de pé, pois está literalmente desequilibrada, a Luna não pára de se alimentar e conversa bastante comigo! Oramos juntas, diariamente, para que Deus tenha piedade dela e dos filhotes, e nos ajude a passar por essa provação, tenha ela o desfecho que tiver.

LUNA, EU TE AMO!



Escrito por Gisele Oliveira às 17h39
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